‘Clássico Uruguaio’ do amazonense é destaque no Globo Esporte

sexta-feira, 27 de maio de 2011 1 comentários
globoesporte.globo.com - 2011-05-27 - 21h-56m-35s

     A final do returno do Campeonato Amazonense, entre Penarol e Nacional, ganhou destaque hoje no site GloboEsporte.com, e o motivo é a semelhança com o clássico uruguaio. Confira a reportagem:

      Por Cassiu Leitão – Rio de Janeiro

      Você seria capaz de imaginar um confronto com rivalidade histórica entre Penarol x Nacional sendo realizado na cidade de Itacoatiara-AM, distante 240 km de Manaus? Pois é, isso acontecerá neste sábado, às 16h (de Brasília), só que pela final do segundo turno do Campeonato Amazonense. O empate levará a decisão para os pênaltis. A versão genérica do tradicional clássico uruguaio também tem seu charme e peculiaridades, mas as semelhanças com o dérbi de Montevidéu param por aí.

Quando o assunto é o estádio, a diferença entre os duelos é abissal. Enquanto os platinos têm como palco o imponente Estádio Centenário, com capacidade atual de 76 mil pessoas e sede da final da Copa do Mundo de 1930 (ano em que foi construído), os amazonenses farão a partida decisiva deste fim de semana no Estádio Floro de Mendonça, apto a receber 2.710 torcedores. Porém, com o famoso jeitinho brasileiro, ele acaba abrigando cerca de 5 mil pessoas nos jogos mais importantes.

Na final do primeiro turno, houve confusão entre Penarol (de azul) e Nacional, digna do clássico uruguaio. O Penarol venceu (2 a 1) e é o único que pode acabar com o estadual no sábado  (Foto: site oficial/Penarol)Na final do primeiro turno, houve confusão entre Penarol (de azul) e Nacional, digna do clássico uruguaio. O Penarol venceu (2 a 1) e é o único que pode acabar com o estadual no sábado  (Foto: site oficial/Penarol)

Outra distinção, esta menos perceptível, é no nome dos clubes. O Peñarol uruguaio, pentacampeão da Libertadores e semifinalista da edição deste ano, tem em sua grafia o til sobre a letra N. Detalhe que os integrantes do time amazonense fazem questão de ressaltar.

- Aqui, o nome do time é Penarol, sem o til. E não "Penharol" (como se pronuncia o nome do clube uruguaio em português). Existe essa diferença - enfatizou o técnico Uidemar, de 56 anos, lembrando também que a sua equipe tem as cores azul e branca, bem diferente da camisa aurinegra dos uruguaios.

técnico Uidemar ergue a taça do primeiro turno

Quem leu o nome Uidemar e lembrou-se de um volante do Flamengo no fim dos anos 80 e início dos 90 acertou na mosca. O popular Ferreirinha virou técnico e agora tem a responsabilidade de levar o Penarol ao bicampeonato estadual. Sobre a rivalidade entre as equipes, ele tem ciência de que as proporções em relação ao clássico uruguaio são incomparáveis. No entanto, garante que o valor sentimental de ser campeão será tão valioso quanto o do Brasileiro de 1992, com o Maracanã lotado pela torcida do Flamengo, diante do Botafogo.

- É o nosso clássico uruguaio. Vivemos aqui uma expectativa muito grande para este confronto. Queremos acabar com o campeonato logo no sábado. Se o meu time for campeão, a emoção deve ser a mesma ou até maior do que a que vivi naquela final no Maracanã. É muito mais fácil dentro das quatro linhas. Como técnico, a adversidade é muito maior. Tenho usado a minha experiência para passar aos jogadores a importância de uma conquista na vida de cada um. Não tem dinheiro que pague. A cidade toda está mobilizada, como se fosse Montevidéu em semana de clássico. Só se fala em Penarol. As pessoas tocam o hino do clube e passeiam com a camisa pelas ruas de Itacoatiara - declarou o agora chamado de Uidemar Pessoa, mantendo a tradição brasileira de acrescentar o sobrenome ao jogador que vira técnico.

Pelo lado do Nacional, maior clube do Amazonas, com 40 títulos estaduais e 14 participações na Série A do Brasileiro, sendo a última em 1986, o grande destaque é o baixinho Igor. Ele teve passagem breve e marcante pelo Flamengo, entre 2003 e 2004, chegando a ser campeão carioca. Em 2010, voltou a disputar a competição pelo Tigres do Brasil.

Igor sofreu algumas lesões graves, sendo a maior delas pelo Fortaleza, em 2006, quando teve uma fratura na perna ao ser chutado, sem querer, pelo companheiro Bechara, no momento em que ambos se preparavam para uma cobrança de falta. Agora, reencontra a alegria de jogar futebol e carrega a responsabilidade de vestir a camisa 10 do tradicional Naça, como o clube é carinhosamente chamado. Com sete títulos estaduais no currículo (por Figueirense, Flamengo, Coritiba, Fortaleza - três vezes - e Treze-PB), o jogador espera marcar presença no futebol do Norte. Assim sendo, fincará a sua bandeira de vitórias nos quatro cantos do Brasil.

- Disputar essa decisão pelo Nacional é um motivo de muita alegria para mim. Todos sabem que passei por momentos difíceis devido a algumas contusões. Nosso time está preparado para vencer e forçar uma final de campeonato. O adversário é muito forte e tem um grande treinador. Mas nós também temos, e confio imensamente no excelente trabalho do professor Adinamar Abib. Ele tem me dado liberdade para jogar e acredito que tenho cumprido bem o meu papel. Dei 11 ou 12 assistências no campeonato e fiz um gol num chute de fora da área, característica que me fez ganhar reconhecimento quando atuei pelo Flamengo - disse o meia de 31 anos (assista acima a um gol dele pelo Flamengo, em 2003).

Com a experiência de ter disputado clássicos importantes como o Fla-Flu e o Atletiba, o baixinho de 1,66m ressalta o crescimento do duelo entre Penarol e Nacional. Ele admite que sua equipe, além da desgastante viagem de quatro horas de ônibus, encontrará um clima digno de um caldeirão no Estádio Floro de Mendonça, onde o Penarol manda seus jogos.

- É uma rivalidade sadia, mas lembra um pouco o cenário das partidas no Uruguai. A torcida deles joga muito papel no campo e balança o alambrado durante os 90 minutos. Vai ser uma pressão grande, mas a nossa equipe é madura o suficiente para lidar com este tipo de situação. Vamos jogar fora de casa, mas sem pensar somente em ficar na defesa. A responsabilidade maior de vencer é toda nossa. Eles ganharam o primeiro turno e têm vantagem. Nosso time tem muita tradição e alertei meus companheiros sobre a obrigação que temos de vencer e dar este título aos nacionalinos - frisou Igor, esbanjando a confiança de um vencedor.

alambradoPenarol (Foto: Divulgação)
Torcida do Penarol e o alambrado do Estádio Floro de Mendonça (Foto: site oficial/Penarol

Como todo clássico que se preze, a provocação também aconteceu para apimentar a decisão. E ela partiu de Geraldo Guimarães, supervisor de futebol do Nacional.

- Se você puder aguardar um pouquinho, já te mando o nosso pôster de campeão do segundo turno - disparou o dirigente.

Fonte: Globo Esporte

1 comentários:

  • MAURO BECHMAN disse...

    Boa matéria. Porém guardo ressalvas quanto a esta forma de analogia. Para o resto do Brasil, parece que o futebol amazonense não tem uma história e uma identidade próprias, é como se tudo, fosse cópia. Matéria carente de pesquisa histórica, pois o Nacional do Amazonas, não tem nenhum traço histórico que o relacione ao Uruguai! Devemos ter cuidado com esta banalização dos nossos clássicos, pois a juventude acabará acreditando nestas coisas. Saudações Amazonenses!

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